Angola reforça resposta à malária e aposta na vacinação para salvar vidas

Angola reforça resposta à malária e aposta na vacinação para salvar vidas

Ainda antes do amanhecer, Maria saiu de casa no município do Cazenga com o filho febril às costas. A criança foi prontamente atendida por profissionais de saúde no Centro de Saúde do Kalawenda, onde o diagnóstico confirmou malária grave. Sobreviveu porque recebeu tratamento a tempo. Lamentavelmente, para muitas outras famílias, o desfecho é diferente.

A história de Maria reflecte a realidade de milhares de famílias em Angola, onde a malária continua a ser a principal causa de mortalidade e uma das maiores ameaças à saúde pública, afectando sobretudo crianças com menos de cinco anos e mulheres grávidas. Em 2025, foram registados mais de 11 milhões de casos e cerca de 11 mil mortes, mantendo o país entre os mais afectados a nível global.

Apesar deste cenário, a malária é prevenível, diagnosticável e tratável. Angola dispõe hoje de ferramentas eficazes, incluindo redes mosquiteiras tratadas com insecticida, diagnóstico precoce e tratamento adequado. A introdução da vacina contra a malária, prevista ainda para este ano, representa um avanço estratégico adicional para reforçar a protecção das crianças e reduzir a mortalidade.

Durante as celebrações do Dia Mundial da Malária e a abertura oficial da Semana Africana de Vacinação, realizadas no Cazenga, no dia 25 de Abril, a Ministra da Saúde, Dra. Sílvia Lutucuta, destacou que o combate à malária e o reforço da vacinação são pilares essenciais para salvar vidas e consolidar sistemas de saúde mais resilientes, inclusivos e equitativos. A governante sublinhou igualmente que a introdução da vacina contra a malária irá complementar as estratégias já em curso, com especial enfoque na protecção das crianças menores de um ano. Destacou ainda o papel das autoridades locais, dos profissionais de saúde e dos parceiros nacionais e internacionais no reforço da resposta à malária e na expansão da vacinação.

No âmbito da actividade, realizou-se um acto simbólico, que incluiu vacinação, consultas médicas gratuitas e a realização de testes rápidos de diagnóstico da malária, permitindo levar serviços essenciais de saúde directamente à comunidade e reforçar a mensagem de prevenção e acesso atempado aos cuidados.

A Coordenadora Residente do Sistema das Nações Unidas em Angola, Amanda Mukwashi, reforçou que o principal desafio já não reside na falta de soluções, mas na capacidade de garantir que estas chegam a todos.

“Agora podemos, porque temos as ferramentas e o conhecimento. Agora devemos, porque cada vida perdida por uma doença evitável é inaceitável”, afirmou.

Paralelamente, a Semana Africana de Vacinação reforça a importância de garantir o acesso equitativo às vacinas. Angola dispõe actualmente de 14 vacinas que protegem contra 16 doenças, mas persistem desafios, incluindo mais de 500 mil crianças que ainda não receberam sequer uma dose. A campanha, implementada entre Abril e Junho, visa reforçar a vacinação de rotina, recuperar crianças não vacinadas e completar esquemas em atraso, incluindo a vacinação contra o cancro do colo do útero para meninas de nove anos.

A vacinação continua a ser uma das intervenções de saúde pública mais eficazes, tendo já salvado milhões de vidas na Região Africana. No entanto, o progresso permanece desigual, exigindo maior investimento, sistemas de saúde mais fortes e acção coordenada para não deixar ninguém para trás.

A história de Maria é um lembrete claro de que a prevenção não pode chegar tarde. Acabar com a malária e proteger todas as crianças através da vacinação exige liderança firme, financiamento sustentável e o envolvimento activo de toda a sociedade.

O evento reuniu autoridades governamentais, parceiros internacionais, profissionais de saúde e comunidades, num esforço conjunto para acelerar a resposta e garantir que nenhuma vida seja perdida por doenças evitáveis.

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Rosa Pedro

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